Tânia Santos Artigo Decode

Artigo de Tânia Santos publicado na InfoRH

O artigo de opinião "Bem-estar – a resposta necessária aos desafios do Trabalho Remoto" é de autoria de Tânia Santos, Happiness Manager da Decode. Foi publicado originalmente na Info RH e pode ser lido de em seguida.

Mais do que nunca e face aos desafios e mudanças com os quais somos confrontados, a implementação de estratégias que visam melhorar o bem-estar e o desenvolvimento dos colaboradores é urgente e este deverá ser um dos maiores focos das empresas neste momento. Afinal, e de acordo com diversos estudos, colaboradores felizes e realizados são a chave para o crescimento das mesmas.

Covid-19: as novas regras do jogo

Com a pandemia, as empresas foram obrigadas a aderir de um momento para o outro ao trabalho remoto. Os colaboradores viram-se de forma repentina e sem qualquer tipo de pré-aviso, expostos a um estilo de vida muito diferente e para o qual não estavam nem nunca foram preparados.

Como qualquer mudança que acontece na nossa vida, primeiro sentimos um desconforto enorme e somos expostos às incertezas, medos e resistências geradas pelo que nos é ainda desconhecido. Mas o processo de adaptação tem várias fases e a verdade é que grande parte das vezes, para não dizer sempre, as mudanças depois de ultrapassada a zona de desconforto revelam-se como verdadeiras oportunidades de crescimento. Seria ingénuo pensar que desta vez será diferente e que depois de tudo iremos querer voltar ao que era a nossa realidade.

Trabalho remoto: ultrapassar os desafios e acolher o Futuro

Segundo um estudo recente feito em Portugal pela Faculdade de Ciências Empresariais e Socias da Universidade Europeia, parece que o futuro chegou mais cedo do que se previa e trouxe consigo novos desafios e oportunidades. De acordo com o mesmo, uma grande parte dos profissionais portugueses encontra-se bastante satisfeita com o trabalho remoto e as vantagens que este traz, no entanto, a preferência recai sobre um regime de trabalho misto. As principais causas apresentadas para justificar esta preferência, assentam no facto de, num regime de trabalho 100% remoto, se verem suprimidas algumas das necessidades básicas humanas mais importantes. Quando isto acontece, verifica-se o aumento de casos em que se experiencia solidão e isolamento social, dificuldade de separar a vida profissional e pessoal e o sentimento de falta de apoio e contribuição, que quando não controlados podem vir a dar origem a uma maior desmotivação, stress e falta de engajamento com a equipa e a empresa.

 

Tempos de mudança e evolução

Apesar dos desafios e da falta de preparação ainda sentida por muitos, não podemos descartar na totalidade um regime de trabalho que traz consigo imensas vantagens para todos os envolvidos. Isso seria aceitar não progredir e não abraçar a oportunidade dos colaboradores, das empresas, e até dos próprios Governos, arranjarem formas eficazes de solucionar alguns dos maiores problemas e desafios da sociedade atual. Por exemplo, o ganho considerável de tempo, a melhoria da qualidade de vida, o aumento da produtividade, a redução do absentismo, redução de custos de todos os envolvidos, maior igualdade de oportunidades de trabalho, descentralização e redução dos níveis de poluição.

É, portanto, importante que as empresas comecem a arranjar rapidamente soluções para os desafios que o trabalho remoto apresenta uma vez que, e tal como a Teoria da Evolução de Darwin defende, “aquele que sobrevive não é necessariamente o mais forte e, sim, o que melhor se adapta às condições do ambiente em que vive”.

Bem-estar e Felicidade no trabalho: o melhor aliado

Há alguns anos para cá, e cada vez mais, a importância e o impacto positivo do bem-estar e da felicidade aplicados num ambiente profissional, vem a ser debatida e a sua eficácia comprovada.

Vários estudos nesta área, já demonstraram que colaboradores que experienciam um maior nível de bem-estar no trabalho são mais criativos, aprendem mais rápido, são mais resilientes, apresentam melhores níveis de motivação e produtividade, estão mais vinculados à empresa em que se encontram e apresentam melhores resultados.

Um estudo realizado por Ryan Howell e a sua equipa, em 2007, concluiu que o impacto positivo do bem-estar se estende também à saúde; contribuindo para um melhor funcionamento do sistema imunitário, aumentando a tolerância à dor e reduzindo os efeitos do stress, mostrando que os benefícios do bem-estar têm um impacto não só a nível individual, mas também a nível de custos globais associados à saúde.

Este efeito acaba por se estender e ter impacto nas mais diversas áreas da nossa vida, uma vez que a saúde é um dos principais fatores para nos sentirmos bem e produtivos. Por outro lado, para as empresas, vai representar a redução dos custos associados ao absentismo e indiretamente à obtenção de melhores resultados e equipas mais motivadas.

Como aplicar a Felicidade remotamente

Mas então de que forma é que o foco no bem-estar e felicidade dos colaboradores, pode e deve ser também utilizado para fazer frente aos desafios que se fazem sentir com a implementação do trabalho remoto?

A verdade é que ao se implementar e promover a difusão de estratégias e ferramentas que promovam o bem-estar, as empresas estarão a colaborar de forma direta e socialmente responsável para o desenvolvimento pessoal de cada um dos seus colaboradores, permitindo o acesso a conteúdo, experiências e novos paradigmas que irão ajudar a desenvolver e melhorar a inteligência emocional e competências como a comunicação, empatia e gratidão.

Este desenvolvimento permitirá uma melhor gestão emocional, um aumento da saúde mental e melhoria do bem-estar individual e coletivo, imprescindíveis para que cada um de nós consiga ultrapassar as maiores adversidades a que somos constantemente expostos, entre elas as que o trabalho remoto nos traz, como o sentimento de solidão, a falta de conexão e a sensação de desequilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Primeiro, vêm as pessoas

O futuro chegou e com ele trouxe a imposição de nos guiarmos por valores mais altos do que aqueles que têm regido a economia e o mundo corporativo até aqui. Cuidar e ajudar a proporcionar momentos de bem-estar, não é mais um termo novo e que está na moda. É uma necessidade básica e direito do ser humano e as empresas que mais rapidamente se adaptarem a esta nova realidade, irão certamente obter melhores resultados e crescer.